quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A família cresce

Netos são nosso futuro realizado , ou melhor , em constante realização .
Observar seu crescimento , ir descobrindo suas características , seus dons , suas potencialidades , é tarefa das mais prazerosas !
São presentes que jamais se consegue agradecer o suficiente .
São mais um grande premio que a vida nos dá .
Meu eterno agradecimento !!!!

Carmen Marina Sande
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

SOMOS MILAGRES


Se não acreditasse na incrível possibilidade de mudar , não poderia ser psicóloga clínica !

É nessa certeza que se baseia todo o nosso trabalho de terapeutas .

Acredito que nós podemos tudo .

Somos verdadeiros milagres , plenos de potencialidades .

Só precisamos acreditar e fazer acontecer !

Carmen Marina Sande



Tudo é milagre

Por Paulo Roberto Gaefke em 17/12/2008



Vem de longe, muito longe,a certeza de que tudo pode ser transformado,vem no sussurro do vento que atravessou a montanha,no filete de água que desceu a montanha e virou rio,na migração dos pássaros que cruzaram o mundo,nas baleias que atravessaram os oceanos,na desova dos peixes que nadaram contra a correnteza,no sol que despertou a vida na semente esquecida.



Tudo é perfeição, tudo milagre,

como o seu respirar, o caminhar,a possibilidade de parar e pensar.

Somos seres maravilhosos, revestidos de muitas capacidades,algumas ainda desconhecidas por nós mesmos.Infelizmente somos movidos por chacoalhões,parece que ainda não descobrimos a força do amor,e continuamos na evolução pela dor.



Hoje, e tão somente hoje,

você pode transformar as lágrimas em alegria,mesmo diante da morte de alguém tão querido,se lembrar que a vida continua,que aqui somos passageiros de uma curta viagem.Você pode se lembrar de tudo de ruim que te aconteceu,e sentar na guia dos aflitos, dos desesperados,porque os fracos desistem e choram.



Mas, você pode levantar a cabeça e visualizar um futuro radiante,arregaçar as mangas e lutar, como leão ferido,como quem sabe o que quer e o que precisa..Chega de dor, chega de choro, chega de menosprezo!A certeza da vitória é a sua melhor arma,e é tudo o que você precisa,pois os vencedores não desistem nunca.

Eu acredito em você


Eu também !
Carmen Marina



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Paulo Roberto Gaefke www.meuanjo.com.br

www.oolong.com.br

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Múltiplos

Temos que ser múltiplos .
Por isso a Psicologia diz que não "somos" , apenas "estamos" .
Podemos , devemos e precisamos mudar sempre .
É a adaptação necessária à nossa sobrevivência .
Temos que variar de acordo com a função que estamos desempenhando e com quem estamos interagindo .Postura , traje , linguagem , tom de voz , vocabulário , maquiagem , cabelo , enfim , tudo deve ser adequado ao momento que estamos vivendo . Quanto mais "jogo de cintura" , mais chances de sucesso !
Nossas atividades diárias exigem essa capacidade para nos comportarmos dentro do que se espera de nós . Temos que nos adequar às mais diversas situações .
Em nossa educação devemos aprender a nos comportar de acordo com o que exige cada ocasião . Esse é um dos grandes problemas de nossa sociedade atualmente . A falta de noção de autoridade . Poucos estão em condições de exercê-la e poucos a reconhecem e respeitam . Pais não se portam como tal e deixam de dar limites claros a seus filhos . Filhos não reconhecem a autoridade dos próprios pais , de pessoas mais velhas ou de professores . Desapareceram a consideração , o respeito e a deferência . - Alguem foi consultar o dicionário para saber o que significam ?
Todos queremos ser aceitos e desenvolver laços mais profundos com pessoas que , de alguma maneira nos são especiais . Para que isso aconteça temos que aprender a nos controlar . O mau humor ou o riso num momento errado podem atrapalhar nossos objetivos . Como é difícil conviver de forma educada e gentil , quando estamos sob tensão .
Essa tensão só tende a aumentar . Mas deixarmos que ela extravase com certeza terá como consequência algum desentendimento .
Interagir sem usar o outro como nossa fonte de satisfação ou de aliviar nossa frustração é uma arte que está caindo em desuso .
Relacionamentos se baseiam cada vez mais em troca de interesses . Para isso máscaras são desenvolvidas .
Essa superficialidade no convívio traz , cada vez mais insatisfação e isolamento .
E isso pode ser mudado ?
Se percebemos que esses comportamentos levam à solidão e à tristeza , por que não buscar outro caminho ?
Por que nos prendemos tanto aos nossos hábitos , aos nossos costumes , querendo impor aos outros nossas verdades , se esse comportamento não está nos fazendo bem ? Por que exaltamos as diferenças ? Como desejamos viver melhor ? Assumir e respeitar papéis faz parte de toda organização . Nada há contra isso !
Somos todos seres humanos e por mais diferentes que possamos parecer nossa humanidade nos faz muito semelhantes .
Vamos investir nas mudanças que nos facilitem uma convivência harmoniosa , respeitando a nós mesmos e aos outros .


Carmen Marina Sande

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O que podemos mudar


ORAÇÃO DA SERENIDADE
Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
E sabedoria para distinguir umas das outras
Para que o nosso projeto de mudanças dê certo , precisamos saber se o que desejamos pode , realmente , ser alterado .
Se sou casada e tenho filhos , posso me divorciar , mas não posso deixar de ter filhos . Não posso mudar a minha idade , nem a minha altura , mas posso mudar o meu corpo através de novos hábitos alimentares e exercícios .
Não posso mudar a vida que levei , as experiências que vivi e que determinam quem sou hoje . Mas posso mudar a maneira de me deixar afetar por elas . Não posso mudar os pais que tive , mas posso questionar sua influência em minha vida .Se forem ensinamentos e exemplos positivos , segui-los . Se me sinto prejudicada por eles , compreendo que fizeram o que achavam acertado , mas posso modificar os resultados . Não posso mudar minhas reais capacidades e talentos , mas posso explorá-los , exercitá-los ou não .
Conhecer-me o suficiente para aceitar o que não posso mudar , é uma atitude de bom senso . Mudanças fantasiosas , sonhos ilusórios , fugas impossíveis e ações delirantes , que criam em nós expectativas errôneas , só irão servir para criar frustrações futuras e acabar com a auto-estima . Projeto mal calculado leva à derrota e é muito difícil amar-se e respeitar-se , quando você se sente um perdedor .
Antes de mais nada devo aceitar quem sou e como consequência , aceitar o meu passado , pois meu passado não é passível de mudanças .Posso , isto sim , tentar conhecer minha história e entender o contexto em que os fatos aconteceram . Mudar a visão de uma situação pode nos trazer outra maneira de senti-la . Ouvir o testemunho de pessoas que conviveram conosco durante nossa vida , pode nos surpreender com formas diferentes de narrar situações das quais tinhamos uma visão sem dúvidas .
É triste ver pessoas que reinventam sua história com um sem número de mentiras e situações fantasiosas . Frágeis e incapazes de lidar com a realidade , reescrevem sua vida alterando o que foi , pelo que gostariam que tivesse sido !
O que pode e deve ser feito , é mudar a forma de conviver com o que nos causa sofrimento . Não podemos mudar o outro , mas podemos manter um relacionamento de forma a nos protegermos do mal que essa pessoa nos causa . Ou , se for possível , retirar essa pessoa do nosso convívio .
Qualquer mudança deve partir de nós e se apoiar em nós mesmos .
Se bem planejadas e dentro das nossas reais possibilidades , com certeza ,essas mudanças , terão grande chance de sucesso !
Carmen Marina Sande

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Você se conhece ?

" Em uma planície, viviam um URUBU e um PAVÃO. Certo dia, o PAVÃO refletiu: Sou a ave mais bonita do mundo animal, tenho uma plumagem colorida e exuberante, porém, nem voar eu posso de modo a mostrar minha beleza, feliz é o urubu que é livre para voar para onde o vento o levar.
O URUBU, por sua vez, também refletia no alto de uma árvore: Que infeliz ave sou eu, a mais feia de todo o reino animal e ainda tenho que voar e ser visto por todos, quem me dera ser belo e vistoso tal qual aquele pavão. "

Todos nós temos características pessoais ,que nos fazem diferentes de outras pessoas .
Nascemos com algumas delas , mas outras vão sendo aprendidas ao longo de nosso desenvolvimento .
Ao pensarmos sobre nossas características identificamos algumas como boas e outras como ruins de acordo com o que representam em nossa vida , isto é , trazendo bons ou maus resultados dentro do que desejamos alcançar.
Da mesma forma qualificamos uma pessoa de boa ou má , baseados na forma em que suas características ditam um comportamento agradável ou desagradável .
Uma pessoa pode identificar uma de suas caractérísticas como positiva , mas pode ser que os que convivem com ela não pensem da mesma maneira .
Ser determinado ou teimoso , faz com que se alcance um objetivo . Mas quem convive com essa pessoa insistente , que não descansa nem dá descanso até conseguir o que quer , com certeza , não vê isso como uma qualidade .
Uma mãe de família , devotada à sua carreira , que não mede esforços nesse sentido , é considerada uma profissional de sucesso . Mas talvez ao ser vista como mãe , esposa ou dona de casa , deixe falhas nas expectativas de sua família .
" Já que nem todas as minhas características são boas , freqüentemente não estou satisfeito comigo mesmo . E já que é muito difícil mudá-las ou até mesmo controlá-las , posso me desanimar , e pensar que não importa o quanto eu me esforce , não estou livre das limitações , que na realidade são frutos de minhas características ."
( Jorge Waxemberg )
É comum que tenhamos preconceitos a nosso próprio respeito : "Sou assim e não tenho mais idade para mudar " , ou " Nem adianta , eu me conheço . "
Saber quem realmente somos , identificar a pessoa que os outros vêem em nós , conhecer nosso potencial para traçar planos de mudanças , são etapas muito difíceis do nosso auto-conhecimento .
Para ajudar nessa tarefa existe uma dinâmica que costuma ser utilizada :

Janela de Johari
Janela de Johari: para saber mais sobre sí mesmo !
É nada mais do que um processo de dinâmica de grupo, cuja prática visa auxiliar no entendimento da comunicação interpessoal e nos relacionamentos com um grupo.
A Janela de Johari deve ser aplicada em quatro etapas, nas quais qualidades devem ser expostas, descritas da maneira simplificada como abaixo:
Imagem aberta: qualidades que você sabe que tem e os outros também. É uma espécie de retrato onde a pessoa se identifica assim como os outros a identificam;
Imagem secreta: qualidades que você sabe que tem e os outros não. É o que a pessoa realmente é, mas esconde das demais;
Imagem cega: qualidades que você não sabe que tem, mas os outros sim. A percepção das demais pessoas sobre você;
Imagem desconhecida: qualidades que nem você nem os outros sabem que você possui. É o que está presente no subconsciente, difícil de ser analisado e percebido.

Durante a dinâmica, cada pessoa recebe um papel com quatro quadrados para colocar suas características, os papéis rodam e as outras pessoas também preenchem.
Depois disso, são colocadas para o grupo as qualificações de cada pessoa, em uma lousa.
É nessa hora que entra o psicólogo, para analisar os dados.
A realidade pode ser um pouco dura com um integrante do grupo e, por isso, é preciso maturidade para participar.
As discrepâncias entre o que a pessoa pensa de si e a percepção do grupo devem ser discutidas. Ao final, cada um define um plano de melhorias .

Carmen Marina Sande

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Nossas opções de vida


Nossas opções escrevem a nossa história .
Nosso cotidiano é formado por escolhas . A cada momento escolhemos alguma coisa , algum comportamento , ou até alguma pessoa e descartamos outras tantas . Certeza de escolhas acertadas só teremos com o passar do tempo . Em algumas dessas escolhas temos tempo para pensar e medir as possiveis conseqüências . São escolhas consciêntes , maduras . Em outras ocasiões agimos ou reagimos , inconscientemente , às situações que se apresentam . É comum que o comportamento seja ditado pelo hábito , ou pela falta de tempo , sem que se considere que essas escolhas afetam a nós e aos que convivem conosco .
É muito importante lembrar que são essas escolhas que vão determinar a nossa qualidade de vida .
Quais os valores que levamos em consideração quando julgamos uma opção ?
Para fazermos uma boa escolha , temos que ter certeza do que queremos .
Será que nos conhecemos suficientemente bem para responder a essas perguntas ?
O que queremos ?
Por que queremos ?
Quantas vezes nos arrependemos por escolhas baseadas em expectativas erradas ?
Por julgarmos mal o que queríamos .
Por conhecermos mal o outro .
Por falta de conhecimento ou uma atitude precipitada .
Há um antigo ditado que diz : " Quem pensa , não casa ." É um convite ao risco , como se pensar pudesse atrapalhar a felicidade .
Em outro dizem : " Quem não arrisca , não petisca . "

Parece que não se pensa com seriedade nas conseqüências das opções , que se pensa a vida como um video - game . Há outra chance após o Game Over , ou pode-se ganhar outra vida como bônus .
Mas em compensação quem já não ouviu : " Se arrependimento matasse . . . eu já tinha morrido . " Ou : " De boas intenções o Inferno está cheio ."
Difícil encontrar com quem está a verdade ?
Vou voltar a esse assunto com mais calma , tentando sugerir um raciocínio que leve a um menor risco nas importantes opções da vida e até na identificação dessa importância .

Carmen Marina Sande

domingo, 10 de agosto de 2008

Por que é difícil mudar ?


O que se busca em uma terapia ?
Mudanças que solucionem nossos problemas para que possamos viver melhor .

Mas por que isso é tão difícil , mesmo quando desejamos essa modificação ?
O ser humano normal está em constante evolução .
Novos conhecimentos modificam nossa visão de mundo , trazem novas interpretações ,outras conclusões e podem gerar até uma revolução em nossa vida !
Em princípio isso parece ser muito positivo , mas por vezes pode criar conflitos em nós mesmos e com os que convivem conosco , habituados que estão a certo comportamento de nossa parte .
A evolução traz mudanças e altera nossas antigas certezas .
Ao nascer iniciamos um processo de descoberta do mundo e vamos criando uma idéia da realidade que vai se modificando de acordo com o crescimento e do tipo de estímulos recebidos .

Vamos desenvolvendo nossa individualidade .
Desde muito cedo o bebê sabe comunicar ao mundo o que lhe agrada ou não , e de maneira muito convincente ! Através do choro consegue impor sua vontade aos adultos .
Vai descobrindo o que quer e como conseguir . Quando alcança seu objetivo , aprende a repetir esse comportamento .
A criança é curiosa e pronta a aprender .Pergunta sobre tudo .
O crescimento vai se fazendo com o novo conhecimento . Cada nova informação aumenta e altera a compreensão da realidade .
Vamos crescendo em idade , experiência e formando nossas opiniões .
Com o tempo vamos cristalizando certezas e nos fechando ao novo e ao diferente .
Pensamos já saber o bom , o certo e o melhor . Portanto não aceitamos mais a novidade com interesse .

Passamos a tentar convencer o mundo a aceitar nossas idéias .
Defendemos com unhas e dentes nossas opiniões e pontos de vista .
É aí que está a raiz do conflito com as mudanças .
Ir contra o que construímos e acreditamos correto ?
Difícil e doloroso !

Carmen Marina Sande

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Perdão


Antes de mais nada , quero me desculpar por não estar mantendo o compromisso de colocar novas postagens com a freqüência que me comprometi . Alguns problemas de saúde têm alterado minha rotina .
Percebi que o fato de ter abandonado , temporariamente , o Blog , estava me incomodando muito e eu não estava conseguindo me perdoar por isso . Era tal o desconforto , que hoje pela manhã decidi voltar .
Eu mesma me surpreendi com o que estava acontecendo . Tinha uma justificativa bastante plausível . Meu impedimento era real , ditado por exigências médicas , e , mesmo assim , eu não conseguia me perdoar pela minha falha .


" Auto-Perdão: O maior desafio
A meu ver , perdoar a si mesmo é o maior desafio que você irá encontrar , é o processo de aprender a se amar e a se aceitar .
No auto-perdão , costuma haver uma grande resistência pois ele requer uma mudança significativa , uma morte .
Que morte é essa ? É um morrer para os velhos hábitos , morrer para a culpa , a vergonha e a auto-crítica . Quantas vezes condicionamos o auto-perdão a circunstâncias diferentes do momento ?
Qual auto-crítica você terá que abandonar para poder se perdoar ?
O auto-perdão é um grande nascimento . Permita-se . "


Ao escrever nesse momento sinto que minha falta está perdoada ! Estou livre da cobrança que vinha me fazendo . É reconfortante e agradável recobrar a Paz .
Como nos conhecemos pouco ! Eu havia pensado que meu desconforto tinha , apenas motivação física . Desconsiderei o sofrimento psicológico . Não me dava conta do quanto o abandono desse compromisso comigo mesma , estava doendo . E eis-me aqui sentindo o alívio de uma libertação , por estar escrevendo .
Com toda a certeza essa ausência não afetava a mais ninguém como magoava a mim própria .
Não sei se estou mais feliz por perdoar ou por ter sido perdoada .
Penso que o perdão libera a quem o concede . Quem perdoa se livra da prisão da raiva e do ódio .


" O que é o Perdão ?
-Perdão é para você e não para o autor da afronta .
-Perdão é para recuperar o seu poder .
-Perdão é para assumir a responsabilidade por como você se sente .
-Perdão pode melhorar a saúde física e mental .
- Perdão é uma escolha .
Perdoar não significa que você deva mudar o seu comportamento.
Se eu perdôo um amigo de quem estou afastada , não preciso voltar a ligar para ele - a não ser que eu realmente queira .
Para perdoar não é preciso que você comunique verbalmente que a pessoa está perdoada . Talvez as pessoas com quem você esteja mais zangado sejam aquelas que você não pode contatar . "


Quando acontece uma morte numa família , seja por acidente ou suicídio , é comum que se procure uma justificativa ou um culpado . Como foi acontecer ? Como ninguém percebeu indícios e tentou impedir ? Alguém sempre é colocado no lugar de responsável . Ou irresponsável . Por vezes culpa-se a própria vítima . Cometeu uma traição morrendo ! Como pedir perdão ou pedoar a quem já morreu ? Difícil . . . mas não impossível .


Em outros casos passamos anos tendo uma opinião sobre uma pessoa , seja pai , mãe , irmão ou amigo . A pessoa já morreu e com o passar dos anos vem o amadurecimento que faz com que tenhamos outra visão a respeito dela .Percebemos que faziamos uma idéia distorcida , deturpada . Que remorso por não a ter entendido , por não lhe ter dado valor ! Não há mais tempo para desfazer o engano , para compensá-la , para uma desculpa . Como perdoar ou pedir perdão ?





"Perdoar só precisa de uma mudança na percepção , outra maneira de ver as pessoas e as circunstâncias que nos causam dor e sofrimento .
Perdoar é uma decisão de ver além dos limites da nossa personalidade , é ver além dos medos , neuroses e erros .
Perdoar é um modo de vida que vai nos transformando aos poucos de vítimas indefesas em poderosos e co-criadores da nossa realidade .
O que o Perdão não é :
-Perdão não é fechar os olhos para a falta de amabilidade .
-Perdão não precisa ser uma experiência religiosa ou sobrenatural .
-Perdão não significa se reconciliar com o autor da afronta .
-Perdão não significa desistir de seus sentimentos . "


O texto lembra que não precisamos avisar ao outro que ele está perdoado , caso não desejemos isso . Com o perdão , nós retiramos dele o poder de envenenar nossa vida . Ele não pode mais nos atingir e infelicitar . Tiramos do outro a importância que tinha para nós . Nós é que estamos beneficiados com a quebra dos grilhões do rancor .
Na maioria das vezes o outro nem sabe que ainda está nos magoando . Para ele o ocorrido pode estar totalmente esquecido . Ele nem se sente culpado ou se mortifica . O nosso sofrimento é solitário e só a nós afeta . Que insanidade mantê-lo vivo , se só a nós prejudica !


" O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE :
GUARDAR MÁGOAS E RANCOR PREJUDICA À SAÚDE
Alguns estudos revelam que :
-As pessoas que demonstram mais inclinação ao Perdão têm menos problemas de saúde .
-O Perdão gera menos estresse .
-O Perdão gera menos sintomas físicos .
-Pessoas que culpam outras por seus problemas apresentam índices mais altos de doenças cardiovasculares e cânceres .
-Até as pessoas que sofreram perdas devastadoras podem aprender a perdoar e se sentir melhor em termos psicológicos e emocionais . "


Os trechos em vermelho foram retirados do texto " Perdoar . . . para que ? "
de Kátia Cristina Horpaczky

Ao encerrar essa postagem sobre o Perdão sinto o prazer do "dever cumprido " e a agradável sensação de estar me perdoando pela omissão quanto aos compromissos assumidos .
Posso garantir que é muito bom e recomendo !

Carmen Marina Sande

terça-feira, 24 de junho de 2008

"Bebo Socialmente" . Será ?


Já enfoquei esse assunto nesse blog , mas como o sinal de alerta continua piscando cada vez mais forte , trago mais informações para auxiliar os pais no cuidado com seus filhos .
Torno a ressaltar que os pais , ou melhor , os adultos têm que estar atentos aos exemplos que oferecem aos mais jovens .
O álcool é sempre ligado à idéia de felicidade e comemorações . É apresentado às crianças dentro de suas casas , no âmbito familiar , onde há uma idéia de segurança e de bons exemplos a serem seguidos . Não há porque desconfiar do que acontece em nossa casa ou na de nossos amigos . São pessoas confiáveis com quem convivemos sem cuidados .
Mas entre os adultos confiáveis , onde a frase " bebo socialmente" é , freqüentemente ouvida , essa nem sempre é a realidade .
O alcoolismo é uma doença que atinge a sociedade , e vem tendo seu início cada vez mais cedo .
Mesmo com a divulgação sempre maior de informações alertando para os riscos .
Portanto , todo cuidado é pouco .
Devemos estar todos em estado de ALERTA , principalmente , quanto às conseqüências do exemplo , que nossas atitudes estão dando à geração dos mais jovens .
Isso também é uma forma de cuidar !
Carmen Marina Sande


Do social à dependência: A família precisa estar atenta

Existem meios para saber se o filho ou parente está consumindo álcool de maneira social ou se é dependente. De acordo com normas da Organização Mundial de Saúde, fatores simples no cotidiano da pessoa podem revelar o tamanho do problema.

A OMS estabelece
critérios (clique no link grifado e veja os critérios) que vão dizer se a pessoa é dependente ou não. Se o indivíduo apresentar três ou mais desses fatores em seu comportamento, a dependência é certa.

Por isso, diz a psicóloga Maria Christina de Queiroz Lacerda, do Centro Paulista de Recuperação, unidade clínica do Grupo Viva, a família precisa ficar atenta ao comportamento da pessoa.

“Quando é dependente, por exemplo, ela apresenta problemas de concentração e memória, chegando a ter raciocínio mais lento”, explica. E, prestando atenção no comportamento suspeito, é fundamental saber quais são os sintomas da dependência.

E há meios, desde a infância, de detectar o quanto a pessoa corre riscos de, no futuro, tornar-se um dependente do álcool e de drogas. “Sabemos, por exemplo, que grande parte das pessoas hiper-ativas tem tendência de desenvolver dependência”, afirma. Ansiedade elevada e hiper-atividade, exemplifica, são fatores que devem ser observados bem de perto pela família.

É interessante observar, segundo a psicóloga, que os sintomas como depressão, bipolaridade, são comorbidades pré ou pós-existentes ao uso do álcool. Por isso é necessária a mudança comportamental, como parte fundamental do tratamento. “O processo só terá sucesso caso o paciente entenda sua condição e aceite o tratamento”, alerta.

E a família, identificando o problema, deve entender que a pessoa está doente e que só o tratamento é eficaz. Seja a favor ou contra sua vontade, ele deve passar pelo tratamento, para que possa ter essa mudança comportamental, entendendo sua doença e retomando a normalidade no seu convívio familiar e social.

Fonte: OMS

domingo, 8 de junho de 2008

Mudança - O Bambu



Ao iniciarmos uma terapia tem-se uma grande expectativa a respeito do tempo que será necessário , até que comecem a aparecer os primeiros resultados .

Existem várias abordagens utilizadas para uma psicoterapia .

A que demanda mais tempo é a Psicanálise . Outras abordagens como a Comportamental , a Gestalt , a Humanista ou a Familiar Sistêmica (com a qual eu trabalho) , se propõe a apresentar resultados em tempo bem mais reduzido .

Darei como exemplo o meu trabalho .

Uma vez conhecida a queixa do paciente , iniciamos um processo de auto-conhecimento .Temos que estudar as características , a estória familiar desse paciente , detalhes sobre sua família de origem , hábitos , isto é , tudo que faça parte do contexto de sua criação e de sua vida . Muitos pacientes falam com desenvoltura sobre sua família , mas ficam confusos quando se trata de falar de sí mesmos . Lembro de uma paciente , Renata , que no início da terapia , tinha acessos de riso toda vez que tentávamos descobrir quem ela era , de fato . E ficava difícil levar o assunto adiante .

Isso tudo vai nos permitindo criar uma base para uma etapa que virá a seguir , a das mudanças . É preciso conhecer o terreno , adubá-lo com motivação para que o paciente se prepare para encontrar suas novas soluções e , só então , esperar que ele implemente essas mudanças .

Para ilustrar esse processo escolhi , mais uma vez como inspiração , um texto encontrado na Internet , do qual , infelizmente , desconheço a autoria e que me permitiu uma livre adaptação .

Carmen Marina Sande

O Bambu

Depois de plantada a semente dessa incrível planta , não se vê nada , absolutamente nada , por 4 anos - exceto o lento desabrochar de um diminuto broto , a partir do bulbo .

Durante esses anos, todo o crescimento é subterrâneo , numa maciça e fibrosa estrutura de raizes , que se estende vertical e horizontalmente pela terra , preparando uma sólida estrutura , capaz de sustentar o que está por vir .

Mas então , no quinto ano , o bambu cresce até atingir 24 metros . Fino , esguio e flexível . Somente a partir daí aparecerão as folhas para que a planta se torne resistente e adulta .

Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu .

Você trabalha , investe tempo e esforço , fazendo tudo que pode para nutrir seu crescimento , e as vezes não se vê nada por semana , meses e até mesmo , por anos .

Mas se houver paciência para continuar trabalhando e nutrindo , o "quinto ano " chegará e o crescimento e a mudança que se processarão vão surpreender !

Não devemos desistir fácil das coisas . Em nossos trabalhos , especialmente projetos que envolvem mudanças de comportamento , cultura e sensibilização para novas ações , vale lembrar do bambu , para não desistir frente as dificuldades que surgem e que são muitas !

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A grande dificuldade : Mudar

A base do trabalho de psicoterapia é se acreditar na possibilidade de mudanças .Pacientes e terapeutas não perderiam seu tempo se não vislumbrassem o sucesso ao final do trabalho .
Quando se tem uma queixa , um sofrimento , uma dor , é normal que se busque ajuda para reverter essa situação e voltar a uma vida agradável . Pessoas mentalmente saudáveis e em seu juízo perfeito tentam sair do desconforto e do sofrimento .
Para que isso aconteça , alguma coisa tem que mudar . É preciso buscar uma nova maneira de lidar com o problema , seja ele de que natureza for . Isso é fácil de entender !
Não se pode conseguir resultados diferentes usando os mesmos ingredientes e a mesma receita .
Por vezes são pessoas que não nos fazem bem . Inteligente é diminuir o contato com elas . Quando isso não é possível , precisamos aprender a conviver de uma forma em que não haja espaço para que nos magoem . Em outras , a escolha equivocada de uma profissão , de uma moradia , podem se transformar em decepção quando vivenciamos melhor .
Loucura é colocar nossa expectativa na mudança do outro . Devemos contar com a nossa própria capacidade de mudar . Pensar que isso é fácil , é um grande engano .
No livro " Viver Conscientemente " , que é uma coletânea de ensaios por Jorge Waxemberg encontrei um texto que explica com extrema clareza nossa dificuldade com as mudanças . Vou citar alguns trechos abaixo .
Carmen Marina Sande

"Apesar do fato de aceitarmos a idéia de que a mudança é indispensável para o progresso , é muito difícil para nós - para não dizer quase impossível -reconhecer que o processo de permanente mudança é uma lei universal e que , portanto , aplica-se igualmente em todos os aspectos de nossa vida , incluindo opiniões e maneira de pensar . Desde o momento do nascimento começamos a construir uma idéia da realidade . Pouco a pouco desenvolvemos nossas opiniões e a visão do mundo e da vida .
Enquanto estamos envolvidos nesse processo ,estamos ávidos para aprender : questionamos , investigamos e estudamos . Absorvemos conhecimento e cada nova informação nos enriquece e nos ajuda a expandir nossa compreensão . Quando alcançamos o ponto onde nos sentimos suficientemente seguros do que sabemos , tornamo-nos mais fechados e começamos a perder a capacidade de mudar nossas interpretações . Estamos mais inclinados a defender nossas posições do que expandi-las . Acaba sendo mais importante para nós provar que estamos certos , do que buscar uma verdade que poderia mostrar o contrário .
Essa disposição de impor nosso ponto de vista dá origem a conflitos pessoais e não pára aí.
O que tudo isso significa hoje para nós ? Apesar de sabermos que nosso modo de ver as coisas não é perfeito ou definitivo , muitos de nós sentimos que "estamos certos" , que nosso ponto de vista é o mais sensato , o mais justo , o melhor .
É verdade que toleramos diferentes opiniões e , teoricamente , permitimos que os outros pensem e sintam à sua maneira , mas , no íntimo , sentimos a necessidade de justificar nosso ponto de vista pensando ser ele o mais coerente .
Pensamos que ele é universal e portanto , o melhor para todos . Essa atitude , que parece ser inocente à primeira vista , é possivelmente a raiz das tragédias da humanidade .
É hora de aprendermos a grande lição da História . A despeito da enorme determinação com a qual cada grupo humano lutou por séculos para impor seu ponto de vista , nenhum nunca alcançou tal objetivo .
Nenhuma visão do mundo , nenhuma doutrina , tem sido compartilhada por todos os seres humanos .
É claro que isso não significa que um específico ponto de vista é nocivo ou inferior . Pelo contrário , cada um tem a possibilidade de ser o melhor , dentro de seu limite .
Não é fácil expandir nosso ponto de vista . Porém , se somos capazes de mudar somente um pouco nossa atitude , esse caminho poderia ser mais claro . Se nós percebêssemos o quanto limitada é nossa visão , poderíamos aplicar em nossa vida a lição que a História tem nos ensinado. Também poderíamos dar mais ênfase na necessidade de examinar e aperfeiçoar nossa visão , em vez de estar sempre lutando para impô-la . Sob esse aspecto , estamos na mesma situação : todos precisamos ampliar nossos pontos de vista .
Esse é um trabalho que cada pessoa faz consigo mesma .
Não pode ser imposto a ninguém mais .
É uma vitória que cada indivíduo pode conseguir dentro do seu próprio coração .
Talvez esse seja o caminho de que precisamos para conseguir um mundo com mais harmonia e paz .

Livro : Viver Conscientemente
Coletânea de Ensaios
por
Jorge Waxemberg
ECE
editora

domingo, 25 de maio de 2008

Cuide-se para poder cuidar





Quando chegam pais ao meu consultório com queixas a respeito de seus filhos , lembro a eles as instruções que recebemos nos aviões , sobre o uso das máscaras de oxigênio .

Se você está voando com uma criança , primeiro coloque sua máscara , depois coloque a da criança . Cuidando-se primeiro , você estará em condições de prestar o auxílio necessário . Caso contrário poderá desmaiar e estará incapaz de qualquer ajuda .

Na nossa cultura cheia de culpas , fomos convencidos de que olhar para nós mesmos é egoísmo . Essa visão só pode levar a tristes conseqüências .

Porque você só pode dar o que tem . Cuidar de sí próprio e se melhorar como pessoa , só pode melhorar , também , o conteúdo que irá oferecer ao mundo .

Se você canta , dança , lê , come bem , pratica esportes , convive com pessoas agradáveis ,está bem com a sua espiritualidade ,trabalha , participa e sente-se útil , se diverte , dorme bem . . . quer dizer que está bem consigo mesmo .

Com certeza você é uma pessoa bem humorada , tranqüila , paciente , amiga , saudável e oferece isso a quem convive com você . Você é uma pessoa "do bem" e que faz bem .

Deve ser fácil trabalhar com você . Deve ser querido e bem vindo aonde chega . Procurado nas boas e más horas porque podem contar com o que tem de bom para oferecer .

Ao perceber uma dificuldade na convivência com o outro , não perca seu tempo desejando que ele mude . Pense no que você pode mudar para melhorar essa situação .

Você só pode alterar o seu próprio comportamento e isso já não é fácil ! Por que achar que mudar o outro é mais fácil ?

Mas na verdade sua mudança irá gerar modificações no outro , mesmo que involuntárias .

Ao me trazerem queixas de outros esclareço que devemos iniciar a terapia com eles mesmos . Vamos alcançar o outro " por tabela ".

Mude você para mudar o mundo !

Seu exemplo "falará" por você da forma mais eficaz .

Carmen Marina Sande

sábado, 24 de maio de 2008

A Lagosta e as crises de crescimento

Por vezes , meus pacientes chegam com a queixa de que estão desanimados , de baixo - astral , desesperançados , que tudo vai mal e que parece que estão fazendo tudo errado , não havendo possibilidades de mudar isso .
Estão surpresos por esse não ser seu comportamento habitual e , ao mesmo tempo , não conseguem imaginar o que possa ter desencadeado essa crise .
Pensam logo em depressão ou ataque de pânico .
Costumo fazer uma comparação que lí , anos atrás , num livro da José Olimpio Editora , cujo nome , se não me engano , era "Crises " , ou talvez , "Fases" .
A autora era uma psicóloga americana ( ou inglêsa ) , que havia feito uma pesquisa para provar que temos crises de crescimento durante toda a nossa vida . Fazia , para ilustrar , uma comparação com o crescimento da lagosta .
Peço perdão pelas informações imprecisas sobre o livro . Eu o emprestei e nunca mais me foi devolvido .O pior é não lembrar a quem emprestei !
Dizia ela , que as etapas de desenvolvimento eram estudadas até o final da adolescência , como se a evolução se encerrasse com a entrada na idade adulta . O que ela considerava um erro .

Concordo plenamente com isso . Gosto de pensar que os seres humanos normais , só param de evoluir com a morte .

A lagosta é o maior invertebrado do mundo . Com a sua dura carapaça movimenta-se confiante sem ser ameaçada por predadores naturais .
Ela desconhece o risco que corre vindo dos humanos que tanto apreciam sua carne !
Mas a lagosta nasce pequena e para que seu corpo possa se expandir , é necessário que sua carapaça se quebre . Aí seu corpo macio fica exposto e pode aumentar seu tamanho .
Nesses períodos ela fica vulnerável , assustada e não sai da toca onde se refugia . Está sem a sua proteção natural e privada da estrutura que lhe garante a segurança .
É uma situação ameaçadora , fora da tranqüilidade de sua vida habitual .
A mudança e o novo a fragilizam ! E fica assim até que se crie outra carapaça adeqüada ao seu novo tamanho . Então retoma sua vida normal , sentindo-se segura e protegida .
Essas etapas acontecem algumas vezes até que ela atinja seu tamanho final .
Em todas elas a lagosta vive esse sofrimento de medo e insegurança .
Mas não há outra forma de crescer .

O mesmo acontece conosco , seres humanos . Durante nossas vidas temos que ir nos adaptando às mudanças trazidas pela aprendizagem de novas experiências e do nosso contato com outros humanos . Estamos sempre aprendendo e crescendo . Ou melhor , deveríamos !
São muitas as fases sofridas de insegurança em nossa vida , causadas pelo aprendizado e pelas modificações que o acompanham . Mas isso é viver e aprender .
Todas as nossas certezas são postas em dúvida . O caminho conhecido trilhado até então , parece que não nos serve mais .
Perdemos nossas referências . Como se diz : "Perdemos o chão ."
É uma época de medo , insegurança e desamparo .
Ficamos deprimidos , "fechamos para balanço" , isolados em nossa "toca" , porque o mundo se torna assustador .
O que mais apavora é que não nos reconhecemos e não sabemos o que está acontecendo conosco , nem porquê .
Não identificamos que estão se abrindo novas portas , novas possibilidades para a nova pessoa que está nascendo em nós .
Ficamos cegos e paralisados frente às mudanças .
Mas só se cresce sofrendo . Quebrando as estruturas para criar novas .
As pessoas que tentam ignorar suas crises de crescimento , como forma de proteção da dor , vivem uma vida estagnada . Se castram por medo de viver !
Quem não tem crises já morreu e não sabe .
Ao nos conhecermos melhor , iremos entender esse processo e aguardar , sem angústia que ele se complete . É o nosso aperfeiçoamento em evolução !
Espero que após essa leitura vocês pensem como eu : " Que venham as crises , estou pronto para aproveitá-las . "
Carmen Marina Sande

quinta-feira, 22 de maio de 2008

MENTIRA - continuando o assunto


Em postagens anteriores venho tentado esclarecer o papel da mentira no convívio social .

Mostrei as várias formas de encarar a mentira e até classifica-la , por vezes como "um mal necessário".
Há poucos dias conversando com uma pessoa muito querida (vou chama-la de Eva ), falei da necessidade de tocar num assunto delicado com uma amiga nossa . Era imperativo que nossa amiga fosse informada de um erro no qual incorre freqüentemente , para seu próprio bem . Eva disse saber que isso era muito importante , mas não tinha coragem para fazê-lo . Apesar da intimidade entre as duas , tinha medo de magoa-la !
Que nome se dá a isso ? Omissão ? Não estaremos fingindo que está certo , o que sabemos ser errado ? Pode ser encarado como uma mentira caridosa ? Ou mentimos por covardia ?
Situações como essa nos levam a falsear a verdade , e isso é , com certeza , uma forma de mentir .
Tenho trazido textos e pesquisas científicas onde seus responsáveis apresentam teorias sobre o recurso da mentira ser utilizado como fator imprescindível à convivência humana e como forma de sobrevivência para outras categorias de vida , na Natureza .
Nesse texto são mostrados sinais que o corpo humano usa para denunciar a falsidade de uma atitude , como acontece na história infantil com o nariz do Pinóquio , que cresce toda vez que o boneco mente !
Com variados enfoques pretendo enriquecer seu conhecimento sobre esse assunto tão polêmico e ao mesmo tempo tão presente em nosso comportamento cotidiano .

Carmen Marina Sande



30 sinais de uma mentira

"Quem tiver olhos para ver e ouvidos atentos pode convencer-se de que nenhum mortal é capaz de manter segredo. Se os lábios estiverem silenciosos, a pessoa ficará batendo os dedos na mesa e trairá a si mesma, suando por cada um dos seus poros!"
Sigmund Freud


Sabemos que a honestidade é à base de qualquer relacionamento humano.
Mas, muitas vezes, as pessoas deixam de ser honestas conosco.
É de grande valor estar ciente das verdadeiras intenções de alguém, e isso vai lhe poupar tempo, dinheiro e energia.
O que você vai ler abaixo é baseado no resultado de anos de estudos na área do comportamento humano; principalmente do trabalho do Dr. David J. Lieberman - um renomado Ph.D. em Psicologia e Hipnoterapeuta - em seu livro: "Never be lied again", o qual me influenciou imensamente na produção deste material.

Lembro que não são meramente técnicas para se descobrir a verdade, mas sim técnicas poderosas e eficazes, as quais são utilizadas mundialmente por entrevistadores e interrogadores experientes.
Chegou a hora de saber as reais intenções das pessoas e impedir que elas tirem vantagem de você!
Apresento-lhe os 30 sinais de uma mentira.

O corpo nos revela a verdade.
Estudos demonstraram que numa apresentação diante de um grupo de pessoas, 55% do impacto são determinadas pela linguagem corporal - postura, gestos e contato visual -
38% pelo tom de voz e apenas 7% pelo conteúdo da apresentação .
(Mehrabian e Ferris, "Inference of attitudes from noverbal communication in two channels", in The Journal of Counselling Psychology, vol. 31, 1967, pp. 248-52).

Podemos concluir que não é o que dizemos, mas como dizemos, que faz a diferença. Sabendo disso, podemos usar a observação para nos ajudar a descobrir a verdade.

1. A pessoa fará pouco ou nenhum contato direto nos olhos;
2. A expressão física será limitada, com poucos movimentos dos braços e das mãos. Quando tais movimentos ocorrem, eles parecem rígidos e mecânicos. As mãos, os braços e as pernas tendem a ficar encolhidos contra o corpo e a pessoa ocupa menos espaço;
3. Uma ou ambas as mãos podem ser levadas ao rosto (a mão pode cobrir a boca, indicando que ela não acredita - ou está insegura - no que está dizendo). Também é improvável que a pessoa toque seu peito com um gesto de mão aberta;
4. A fim de parecer mais tranqüila, a pessoa poderá se encolher um pouco;
5. Não há sincronismo entre gestos e palavras;
6. A cabeça se move de modo mecânico;
7. Ocorre o movimento de distanciamento da pessoa para longe de seu acusador, possivelmente em direção à saída;
8. A pessoa que mente reluta em se defrontar com seu acusador e pode virar sua cabeça ou posicionar seu corpo para o lado oposto;
9. O corpo ficará encolhido. É improvável que permaneça ereto;
10. Haverá pouco ou nenhum contato físico por parte da pessoa durante a tentativa de convencê-lo;
11. A pessoa não apontará seu dedo para quem está tentando convencer;
12. Observe para onde os olhos da pessoa se movem na hora da resposta de sua pergunta. Se olhar para cima e à direita, e for destra, tem grandes chances de estar mentindo.
13. Observe o tempo de demora na resposta de sua pergunta. Uma demora na resposta indica que ela está criando a desculpa e em seguida verificando se esta é coerente ou não. A pessoa que mente não consegue responder automaticamente à sua pergunta.
14. A pessoa que mente adquire uma expressão corporal mais relaxada quando você muda de assunto.
15. Se a pessoa ficar tranqüila enquanto você a acusa, então é melhor desconfiar. Dificilmente as pessoas ficam tranqüilas enquanto são acusadas por algo que sabem que são inocentes. A tendência natural do ser humano é manter um certo desespero para provar que é inocente. Por outro lado, a pessoa que mente fica quieta, evitando a todo custo falar de mais detalhes sobre a acusação;
16. Quem mente utilizará as palavras de quem o ouve para afirmar seu ponto de vista;
17. A pessoa que mente continuará acrescentando informações até se certificar de que você se convenceu com o que ela disse;
18. Ela pode ficar de costas para a parede, dando a impressão que mentalmente está pronta para se defender;
19. Em relação à história contada, o mentiroso, geralmente, deixa de mencionar aspectos negativos;
20. Um mentiroso pode estar pronto para responder as suas perguntas, mas ele mesmo não coloca nenhuma questão.
21. A pessoa que mente pode utilizar as seguintes frases para ganhar tempo, a fim de pensar numa resposta (ou como forma de mudar de assunto): "Por que eu mentiria para você?", "Para dizer a verdade...", "Para ser franco...", "De onde você tirou essa idéia?", "Por que está me perguntando uma coisa dessas?", "Poderia repetir a pergunta?", "Eu acho que este não é um bom lugar para se discutir isso", "Podemos falar mais tarde a respeito disso?", "Como se atreve a me perguntar uma coisa dessas?";
22. Ela evita responder, pedindo para você repetir a pergunta, ou então responde com outra pergunta;
23. A pessoa utiliza de humor e sarcasmo para aliviar as preocupações do interlocutor;
24. A pessoa que está mentindo pode corar, transpirar e respirar com dificuldade;
25. O corpo da pessoa mentirosa pode ficar trêmulo: as mãos podem tremer. Se a pessoa estiver escondendo as mãos, isso pode ser uma tentativa de ocultar um tremor incontrolável.
26. Observe a voz. Ela pode falhar e a pessoa pode parecer incoerente;
27. Voz fora do tom: as cordas vocais, como qualquer outro músculo, tendem a ficar enrijecidos quando a pessoa está sob pressão. Isso produzirá um som mais alto.
28. Engolir em seco: a pessoa pode começar a engolir em seco.
29. Pigarrear: Se ela estiver mentindo têm grandes chances de pigarrear enquanto fala com você. Devido à ansiedade, o muco se forma na garganta, e uma pessoa que fala em público, se estiver nervosa, pode pigarrear para limpar a garganta antes de começar a falar.
30. Já reparou que quando estamos convictos do que estamos dizendo, nossas mãos e braços gesticulam, enfatizando nosso ponto de vista e demonstrando forte convicção? A pessoa que mente não consegue fazer isso. Esteja atento.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Consumo de Drogas na Adolescência


São tantos os pedidos de ajuda e de orientação , que mais uma vez volto ao assunto das drogas .
Neste artigo fala-se da adolescência como sendo a época da iniciação nas drogas .
Infelizmente isso não corresponde mais à realidade . Temos notícias de crianças entre 8 e 9 anos fazendo uso delas .
E não estou me referindo apenas às crianças da população de rua .
Ao considerarmos o cigarro como droga letal que é , seria hipocrisia afirmarmos que esse é um problema de agora .
Todos reconhecemos que muitos fumantes se iniciaram no vício ainda crianças , lógico que escondidos dos pais .
Por ser uma droga lícita e socialmente permitida , apenas muito recentemente o tabagismo vem sendo condenado . Apesar de prejudicial à saúde , é tolerado por não alterar o comportamento , nem a percepção do fumante .
O que já não se aplica ao álcool , que mesmo sendo socialmente permitido e bastante glamourizado , é o principal responsável por acidentes no trânsito .
Carmen Marina Sande


Adolescência e consumo de substâncias psicoativas: riscos e reflexos para a vida

No senso comum, utiliza-se o termo droga para se referir às drogas ilícitas, como a maconha, o crack e a cocaína, excluindo o tabaco e o álcool.

Em artigos mais recentes o termo substâncias psicoativas já é usado para determinar o conjunto de drogas, medicamentos ou toxinas cujo consumo pode causar danos à saúde.
A abordagem sobre o consumo de substâncias psicoativas entre adolescentes e adultos jovens na sociedade brasileira deve estar associada a três fenômenos: as mortes associadas ao processo de violência urbana; a epidemia do vírus HIV/AIDS e outros agravos à saúde física e mental.
Ao se tratar de menores em situação de rua, estudos recentes mostram um consumo intenso e freqüente de solventes e maconha, mas também incluem tabaco, álcool e cocaína. Este fato é agravado por condições biológicas, relacionadas à desnutrição, doenças sexualmente transmissíveis e verminoses; também por condições psicossociais relacionadas à exposição à violência policial e desagregação familiar.
O consumo de solventes orgânicos (acetona, éter, cola de sapateiro) destaca-se dentre as substâncias psicoativas consumidas não apenas entre menores em situação de rua, mas também entre estudantes de periferia e universitários.
Os profissionais de saúde têm um papel importante na prevenção e identificação de fatores de risco associados ao consumo de substâncias psicoativas, pois as conseqüências podem ser graves e requer encaminhamentos para tratamento de abuso e dependência.
A intervenção em casos de experimentação pode ter um efeito positivo.
Alguns sinais que podem ajudar os profissionais e a família a reconhecer o uso de droga pelo adolescente é emagrecimento, olhos vermelhos, irritação nasal, desinibição, agitação, sonolência, problemas com os professores, falta às aulas, suspensão, repetência e expulsão escolares e problemas na família.
As conseqüências do consumo de substância psicoativas podem ser violência física e moral, incluindo homicídio, e violência pelo tráfico de drogas além da disseminação do HIV. Há uma complexa relação entre consumo de substâncias psicoativas e prática de sexo desprotegido, que merece atenção especial nas ações de prevenção.
Em contrapartida, uma família com laços afetivos profundos, cujos pais participam da vida de seus filhos, um bom aproveitamento escolar, a participação em grupos de convívio e adoção de medidas para controle de propaganda e venda de substância psicoativas lícitas e ilícitas podem ter um impacto positivo na vida dos adolescentes, atuando como fatores protetores.
Este artigo publicado pela Revista Adolescer objetiva reconhecer a realidade dos jovens em situação de uso de drogas e sugerir medidas de auxilio como:
promover e difundir informações sobre drogas e seus efeitos na saúde;
estimular ações que valorizem a auto-estima e o auto-cuidado;
ações sociais como capacitar os profissionais de saúde;
promover ações integradas com os agentes comunitários de saúde para fornecer informações às famílias no seu ambiente social e cultural;
estabelecer parceria com a escola para desenvolver ações educativas voltadas diretamente às crianças e adolescentes;
incentivar o processo de comunicação familiar com base na amorosidade, acolhimento, através de atitudes não julgadora ou preconceituosa.
Autor: PEREIRA, S. M.
Fonte: OBID

sábado, 17 de maio de 2008

Ficções da Mente


Continuando o raciocínio de que somos muito mais passíveis de enganos do que costumamos acreditar , vou citar apenas alguns trechos de uma reportagem .
Por ser ela bastante longa e conter algumas experiências com pacientes que sofreram acidentes cerebrais , transcrevo apenas as conclusões a que chegaram os cientistas , sobre o funcionamento do nosso cérebro .
Já havia afirmado anteriormente que nosso cérebro é precipitado em suas conclusões , nem sempre correspondendo à verdade .
Muitas de nossas decisões partem do inconsciente , antes que o nosso consciente racional tenha tido tempo se sancioná-las .
É o que justificamos como "agir sem pensar" .
Só que o que julgamos , durante muito tempo , ser uma atitude atípica e tresloucada , é muito freqüente no dia-a-dia de todos nós .
Não somos senhores do nosso livre arbítrio .
Na maioria das vezes , agimos sem pensar .
Damos respostas que são fabricadas apressadamente em bases às vezes nada confiáveis .
Informações , recordações , lembranças , nem sempre são tão verdadeiras quanto julgamos .
Carmen Marina Sande


Reportagem
edição 169 - Fevereiro 2007 -Revista Mente&Cérebro


Ficções da Mente
Acreditar nas histórias que inventamos é mais comum do que se imagina. Estudos mostram que a confabulação está na gênese da compreensão do mundo.
por Helen Philips
Crianças geralmente confabulam quando pedimos que falem sobre assuntos que não conhecem .
Em uma das últimas vezes que vi minha avó, ela falou animada sobre o filho que estava longe, estudando na universidade. Parecia absolutamente convicta e muito orgulhosa, apesar de também reconhecer que seu único filho, sentado ao nosso lado, já tinha idade para se aposentar. Sem aparentar confusão ou angústia, seu relato era lúcido e complexo, como se uma história perfeitamente plausível tivesse saltado de algum ponto do passado para o vazio de sua memória recente. Muitas pessoas idosas desenvolvem gradualmente amnésia para acontecimentos recentes, ao passo que as lembranças da juventude se mantêm ricas e detalhadas. Costumam inventar histórias para esconder seu constrangimento em relação aos lapsos, e em geral têm noção de que sua memória é confusa. Depois de uma série de derrames, o tipo de histórias que minha avó contava era um pouco diferente - os neurologistas as chamam confabulação, uma história ou memória fictícia da qual se tem certeza da veracidade. Não é mentira, pois não há intenção de enganar, e as pessoas parecem acreditar no que estão dizendo. Até recentemente isso era visto apenas como deficiência neurológica, um sinal de que algo está errado. Atualmente, no entanto, sabe-se que pessoas saudáveis também recorrem a essa prática."A confabulação é sem dúvida mais que o resultado de um déficit na memória", afirma o neurologista e filósofo William Hirstein, da Faculdade de Elmhurst, em Chicago, e autor do livro Brain fiction, de 2005. Crianças e adultos confabulam quando pressionados a falar sobre algo de que não têm nenhum conhecimento, ou após uma sessão de hipnose. Isso levanta dúvidas sobre a precisão dos depoimentos de testemunhas. Na verdade, todos nós podemos confabular de forma rotineira conforme tentamos racionalizar decisões ou justificar opiniões. Por que você me ama? Por que comprou aquela roupa? Por que escolheu determinada carreira? De forma mais extrema, alguns especialistas defendem que nunca temos a certeza do que é realidade, então precisamos confabular o tempo todo para tentar compreender o mundo à nossa volta.A confabulação foi mencionada pela primeira vez na literatura médica no final da década de 1880 pelo psiquiatra russo Sergei Korsakoff (1853-1900). Ele descreveu um tipo distinto de déficit de memória apresentado por pessoas que abusaram do álcool ao longo de muitos anos. Esses indivíduos não tinham memória de eventos recentes, e preenchiam as lacunas espontaneamente com histórias algumas vezes fantásticas e impossíveis.


TESTE DE REALIDADE
O neurologista Oliver Sacks, da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, escreveu sobre um homem com a síndrome de Korsakoff em seu livro O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, de 1985. O senhor Thompson nunca lembrava onde estava e por que, ou quem era seu interlocutor, mas inventava explicações elaboradas para as situações em que se encontrava. Se uma pessoa entrava na sala, por exemplo, ele a cumprimentava como se fosse um cliente de sua loja. Um médico de jaleco branco podia se tornar o açougueiro. Para o senhor Thompson essas ficções eram plausíveis, e ele parecia não perceber que elas se modificavam o tempo todo. Comportava-se como se seu mundo improvisado fosse um lugar perfeitamente normal e estável.
Outros que também compartilham o hábito de contar histórias - e acreditar nelas - são aqueles que sofreram aneurisma ......
Essas pessoas têm amnésia profunda, mas não parecem notar o problema e confabulam para preencher as lacunas. A mesma coisa pode acontecer com as que têm a doença de Alzheimer e outras formas de demência, bem como com quem teve o cérebro lesionado por um derrame.O neurologista Armin Schnider, do Hospital da Universidade Cantonal de Genebra, diz que a vasta maioria das confabulações que escutou de seus pacientes até hoje se relacionava de forma direta ao início de sua vida. Um deles, dentista aposentado há décadas, preocupava-se muito pelo fato de deixar seus pacientes esperando. Uma mulher idosa falava do filho como se ele ainda fosse bebê. A maioria desses pacientes tinha lesões ........ região estreitamente relacionada à memória. Parecia provável que eles tivessem de alguma forma perdido a capacidade de criar novos registros mnemônicos, por isso passaram a acessar os antigos. Era intrigante o fato de não perceberem isso; estavam convencidos de suas histórias, alguns até agiam com base nelas....
....Assim, o problema dos confabuladores não é necessariamente não conseguir criar novas memórias, mas confundir lembranças e instante presente.
....O pesquisador acredita que todos temos um mecanismo pré-consciente que distinguiria a realidade atual da fantasia, ou de uma memória sem grande importância. "O cérebro decide muito antes de o pensamento se tornar consciente", diz.....
.... O processo de decisão, rápido demais para a percepção, também se dá de forma inconsciente. "Nosso cérebro distingue fato de ficção bem antes de termos acesso aos nossos pensamentos", conclui Schnider....
....Segundo o neurocientista Morten Kringelbach, da Universidade de Oxford.....,
.... De qualquer forma, quando a informação recebida é incompleta ou contraditória, há um esforço extra para fazer as coisas se encaixarem - e o resultado disso é a ficção. Kringelbach suspeita, porém, que as pessoas não confabulam apenas quando há algo errado....
Experimentos feitos pelo filósofo Lars Hall, da Universidade de Lund, Suécia, desenvolveram ainda mais essa idéia......
..... A confabulação poderia ser uma rotina para justificar as escolhas cotidianas? Quem sabe.Há muitas evidências de que boa parte do que fazemos seja resultado do processamento inconsciente. Em 1985, Benjamin Libet, da Universidade da Califórnia em San Francisco, sugeriu que um sinal para mover um dedo é "visualizado" no cérebro vários milésimos de segundo antes de alguém estar ciente de que pretendia movê-lo. A idéia de livre-arbítrio pode, portanto, ser mera ilusão. "Não temos acesso a todas as informações nas quais baseamos nossas decisões, por isso criamos ficções para racionalizá-las", diz Kringelbach. Segundo ele, isso deve ser bom, pois talvez ficássemos paralisados se fôssemos cientes de como tomamos cada decisão. Wilson concorda e fornece números: estudos indicam que nossos sentidos podem captar mais de 11 milhões de fragmentos de informação por segundo, ao passo que a estimativa mais otimista sugere que apenas 40 sejam percebidos conscientemente. Talvez tudo que nossa mente faça seja imaginar histórias para entender o mundo. "Fica em aberto a possibilidade de que, no extremo, todo mundo confabule o tempo todo", diz Hall.
- Tradução de Julio Oliveira

Lembranças confusas
A tendência de confabular pode causar preocupação quando o assunto é a psicologia do testemunho. Com que facilidade histórias inventadas se convertem em falsas memórias? A psicóloga Maria Zaragoza, da Universidade Estadual Kent, em Ohio, mostrou um vídeo a um grupo e depois fez perguntas individuais com a resposta sutilmente sugerida na própria pergunta. Quando os indivíduos não conseguiam responder - porque a informação simplesmente não estava na fita -, a pesquisadora os encorajava a inventá-la. As pessoas ficavam constrangidas, diziam que não sabiam e estavam apenas inventando uma resposta. Uma semana depois, porém, mais da metade confirmou suas declarações falsas como se fossem verdadeiras. Outro estudo revelou que crianças se comportam da mesma maneira. Quando perguntaram a elas se o homem da manutenção, que elas viram numa sala de espera, havia quebrado algo que na verdade nem havia tocado, todas disseram que nada viram ou que o homem não tinha culpa de nada. Então se pediu que elas inventassem uma história na qual ele havia quebrado coisa alguma. Na semana seguinte, muitas crianças acreditavam em suas próprias mentiras. Assim como nos adultos, o efeito foi mais evidente quando o pesquisador forneceu um feedback positivo, dizendo à pessoa que a resposta inventada era a correta.Para Zaragoza, esses resultados alertam
para a forma como os testemunhos judiciais são feitos e colocam em xeque sua credibilidade. Pelo mesmo motivo o uso da hipnose como técnica forense foi muito criticado nos anos 80. Nessa época a psicóloga Jane Dywan, da Universidade de Brock, em Ontário, conduziu um estudo no qual mostrou fotos a cada participante e depois testou sua capacidade de recordar nos dias seguintes. Uma semana depois, hipnotizou os mesmo sujeitos e perguntou o que conseguiam lembrar. Todos tiveram mais recordações do que antes, mas quase todas eram falsas. Segundo Dywan, a hipnose aumenta o foco de atenção e a facilidade com que as informações vem à tona, e isso pode nos dar maior familiaridade em relação às memórias falsas, que normalmente só teríamos com as verdadeiras. "Combine essa confiança a uma maior capacidade de lembrar e teremos uma situação perigosa", diz a psicóloga.
...... Qualquer traço de memória ativado, pertinente ou não, pode guiar o pensamento e o comportamento.
Fonte: Spontaneous confabulations, disorientation and the processing of "now". A. Schnider, em Neuropsychologia, vol. 38, págs. 175-185, 2000.

Para conhecer mais
O homem que confundiu sua mulher com um chapéu. O. Sacks. Companhia das Letras, 1997. Brain fiction. William Hirstein. MIT Press, 2005.

One cause for all confabulations? A. Schnider, em Science, vol. 27, pág. 1262, 2005.
Helen Philips é jornalista © New Scientist.
© Duetto Editorial. Todos os direitos reservados.

http://www.mentecerebro.com.br/

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Auto - estima




Para uma vida mentalmente saudável e equilibrada é imprescindível que se tenha auto-estima elevada .
E não é importante apenas para uma boa recuperação dos dependentes de drogas . Mas para todos que se percebem com problemas geradores de sofrimento e decidem recuperar o controle e o prazer de viver .
Para viver com qualidade e se sentir apto a enfrentar as dificuldades que surgem no percurso , precisam contar com sua auto-estima , responsável pela estabilidade emocional .
Não se amando , não confiará em si próprio e terá dificuldades frente aos obstáculos , mesmo os mais simples . O medo assusta , desencoraja , incapacitando .
Quem acredita no seu valor não se acovarda , sente segurança e confia na sua competência .
Cria ! Ousa !
Somente assim pode tentar viver sua vida em plenitude , realizando seu potencial .
Carmen Marina Sande




Auto-estima: essencial para uma boa recuperação


Segundo psicólogos, a auto-estima começa a sofrer influência ainda na infância, a partir do tratamento que recebemos de outras pessoas.

As experiências adquiridas quando criança irão refletir na auto-estima do adulto.
Entretanto, decepções, frustrações, situações de perda, ou o sentimento de falta de reconhecimento abalam a auto-estima.
Se a auto-estima está baixa, a pessoa se sente insegura, incapaz, sem uma clara compreensão sobre quem ela é e onde pretende chegar.
Quando em alta, a auto-estima faz bem para a vida e ajuda o indivíduo conhecer melhor a si próprio, entender melhor seus limites e suas capacidades.

Em um tratamento clínico contra a dependência química, reforçar a auto-estima do paciente é fundamental. É o que comenta a Dra. Claudia O. Soares, Diretora Clínica da Unidade de Tratamento do Grupo Viva.
Para Cláudia, logo quando entra na clínica, voluntária ou involuntariamente, o cliente deve, sim, entender que está doente, que esta doença não tem cura, mas tem controle, e que irá passar por um tratamento.

“Mas nós, como profissionais da saúde, temos que fazê-lo entender que ele não é a pior pessoa no mundo, por causa disso”, diz.
“Nós temos é que dar apoio para mostrar que ele pode e vai se levantar, se ele realmente quiser isso”, completa.
Portanto, segundo ela, com a ajuda de psicólogos, psiquiatras, terapeutas, educadores e vários outros profissionais, é fundamental fazer o paciente entender que ele pode dar a volta por cima e tornar a viver com dignidade ao lado de sua família e de seus amigos, desde que também lute por isso.
Para os psicólogos que atuam Grupo Viva, a auto-estima elevada do paciente faz com que o tratamento flua com mais naturalidade, uma vez que ele passa a aceitar melhor a ajuda que recebe, com esperança de viver uma realidade melhor após sua estada na Clínica.


Grupo Viva [ej@env3.carteiroxpress.com]

RESPONSABILIDADE: Confie seu filho ou parente a uma Clínica Médica e Terapêutica que esteja
apta e regular junto aos orgãos competentes, principalmente para o
Tratamento Involuntário.

sábado, 10 de maio de 2008

Dificuldade com a Diferença

Temos muita dificuldade para lidar com o que é diferente dos nossos hábitos ou do que gostamos e entendemos como o bom , o certo e o melhor .
É comum que ao contratarmos um empregado , queiramos ensinar a ele nossos hábitos e nossos gostos sem tentar conhecer a bagagem que ele traz . De antemão nos achamos superiores em qualidade .
Num determinado dia , algo acontece e não temos tempo de passar nossas instruções . O servidor é forçado a decidir o que fazer . E qual não é a nossa surpresa ao chegar e constatar que o improviso é uma solução excelente que nunca havia nos ocorrido !
Nunca havíamos criado espaço para conhecer a experiência do outro .
Não nos arriscamos no novo .
O hábito venceu a ousadia e nos condenamos a viver presos à mesmice .
Aceitar a novidade e mesmo buscar o novo , são demonstrações de mente aberta à evolução . Reconhecer e mudar para melhor são provas de inteligência . Saber ouvir deixando espaço para conhecer os argumentos do outro e até deixar-se convencer , se rendendo , é sabedoria .
Por que querer sempre ter a última palavra ?
Por que ser dono da verdade ?
O que é diferente do que pensamos não precisa , necessariamente , ser entendido como errado .
Carmen Marina Sande





SÁBIO CHINÊS



Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente, quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado..
Ele se vira para o chinês e pergunta:- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?

E o chinês responde:- Sim, quando o seu vier cheirar as flores!!!


"RESPEITAR AS OPÇÕES DO OUTRO, EM QUALQUER ASPECTO,É UMA DAS MAIORES VIRTUDES QUE UM SER HUMANO PODE TER."


"AS PESSOAS SÃO DIFERENTES, AGEM DIFERENTE , PENSAM DIFERENTE. NUNCA JULGUE. APENAS COMPREENDA!!" E aprenda !
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Diferenças não são defeitos
Roberto Shinyashiki

Sendo cada ser humano único e diferenciado, só existe um modo de possibilitar a vivência a dois: o conhecimento e o respeito das diferenças de cada um, que precisam ser aceitas e ajeitadas pelo casal.
Só assim a riqueza das diferenças do casal pode criar algo novo e especial na relação.
Se duas pessoas são distintas, pensam de modos diferentes e atuam em estilos diversos, sua união pode oferecer mais alternativas e maiores possibilidades, já que a soma das experiências e características do casal é bem maior do que seria, caso eles fossem muito parecidos.
É comum os dois desejarem coisas diferentes, simultaneamente. Pode ser que um queira comprar novos móveis e o outro fazer uma viagem.
Em vez de ficar dizendo um ao outro que o desejo dele é bobagem, é muito mais eficaz organizar o orçamento familiar, de forma a conseguir atender aos dois.
Não adianta querer convencer o outro de que a vontade dele é desnecessária e sem razão, porque isso vai acabar gerando insatisfação e produzirá focos de conflitos em outras áreas.
É fundamental termos claro, em nossas mentes, as coisas em que somos diferentes um do outro e o que é de real importância modificarmos, para que o relacionamento não apenas sobreviva, mas seja um crescer contínuo.
É importante saber que o limite que cada um de nós tem hoje, tanto poderá ser mantido, como poderá evoluir e aumentar as possibilidades de aceitação e mudança. Isto será um passo à frente do ponto de equilíbrio, em busca do encontro com o amor. Mas se você usa a fórmula de encontrar defeitos nas outras pessoas para livrar-se de situações embaraçosas, que você não quer enfrentar, pergunte-se como estará daqui a dez anos se continuar com esta conduta.
Por acaso, para dissolver qualquer tipo de vínculo amoroso, você começa a colocar defeitos no parceiro ou então procura outra pessoa, fora da relação, para servir de “carona”?
Caso você queira evitar intimidades e se esquivar de uma entrega à alguém, a solução mais fácil é encontrar defeitos.
Isso porque, se o outro tem muitos defeitos, você se sente especial, com mais qualidades, e assim, está se valorizando à custa dos defeitos dele.
Não necessitamos destruir ninguém para sermos livres, valorizar-nos, ou para decidir se é bom ou ruim nos entregarmos inteiramente a alguém.
Geralmente a pessoa que põe defeito no outro guarda uma tristeza, lá do passado. Possivelmente, alguém a criticava muito quando criança.
A maior parte dos nossos comportamentos são aprendidos, e muito do que se considera defeito, na verdade, é apenas diferença.
Quando duas pessoas estão empenhadas em manter uma relação saudável e gratificante, ambas fazem mudanças e concessões.
Uma das coisas mais importantes, e lamentavelmente raras na relação, é perceber que o outro mudou. Os dois mudam e crescem juntos, ou a mudança e o crescimento apenas de um vai ameaçar muito o ponto de equilíbrio do outro.
Portanto,é básico, na caminhada para o amor, que o casal programe seus passos o mais próximo possível um do outro.

Roberto Shinyashiki