quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A MENINA DOS FÓSFOROS

Nesse momento em que se discutem leis sobre o uso de drogas , achei oportuno apresentar um trecho do livro " DOCES VENENOS " , de Lidia Rosemberg Aratangy .
É um dos textos mais delicados que conheço para explicar essa dolorosa relação entre a droga e quem a consome , ou melhor , é consumido por ela .
Fui motivada também pela entrevista de Fábio Assunção , contando sobre sua luta para vencer o vício que tantos prejuízos vem causando à sua carreira de consagrado astro de televisão e cinema . Difícil imaginar como um jovem homem , bonito , rico , com um filho de 6 anos , vitorioso em sua carreira , amado por milhões de fãs , se envolve num problema com conseqüências tão desastrosas . Disse ele que justificou para o filho que iria para uma clínica para aprender a dormir , acordar e comer na hora certa . A droga desorganiza o que de mais simples e básico constitui a rotina de um ser humano .
Eu falo com conhecimento de causa , não só porque trabalho com pessoas que sofrem com os danos causados pelas drogas , mas por ser , eu mesma , uma dependente química . . . de açúcar . Faz tempo que tenho minha glicose perigosamente alterada . Sei perfeitamente dos riscos de uma alimentação inadequada . Juro freqüentemente para mim mesma e para os que amo e me amam , que vou me manter longe de doces , pães e massas .Penso no mau exemplo que estou dando para filhos , netos , amigos e pacientes . Com certeza nesse momento estou convencida de que devo e posso cumprir a promessa . Mas , há sempre um mas , passados alguns dias me pego pedindo ao meu marido que me traga "alguma coisa gostosa " da rua . E eu traio desavergonhadamente a minha promessa e a minha saúde . Sei , ah , como sei , como meu cérebro me induz a satisfazer seu vício . As moléculas que compõem o açúcar e o álcool são as mesmas . E eu penso " se vou a uma festa no sábado , vou sair da dieta , por que não aproveitar desde a quinta-feira ? " Essa idéia inunda meu momento de felicidade . De outra feita , trago uma abóbora do sítio , e mesmo dividindo com outras pessoas ,ainda sobra um grande pedaço . Penso logo que além de usá-la em pratos salgados , vale fazer um doce de abóbora , que depois de dado o ponto , conserva-se muito mais . Por que me preocupar com sua preservação quando sei que vou consumí-lo rapidamente ?
Como podem ver conheço e uso várias formas de sabotar meus objetivos .Isso me faz lidar com outra compreenção com sentimentos tão familiares a mim . É mais fácil enfrentar um inimigo conhecido . Há mais chances de vitória .
Nem por um momento sugiro que será fácil , apenas aumentam as possibilidades de um final feliz .

Carmen Marina Sande


A MENINA DOS FÓSFOROS

Era véspera de Ano Novo, e a menina (tão pequena, coitadinha!) que vendia fósforos estava com muito frio e com muita fome. Seu estoque de fósforos coloridos estava intacto, ninguém tinha comprado nada. Ainda por cima, ela tinha perdido seus chinelos na neve e seus pezinhos estavam enregelados.

Ela sabia que não podia voltar para casa , pois tinha certeza de que iria levar a maior surra do pai , com quem vivia sozinha , desde a morte da mãe . Ele batia nela constantemente e contava com o dinheiro da venda dos fósforos para comprar comida e bebida . A menina não podia chegar de mãos vazias .

O frio aumentou e ela resolveu acender um só dos fósforos coloridos , para se aquecer um pouco .

A pequena chama azulada trouxe mais do que um pouco de calor . Na luz bruxuleante do fósforo , seus olhinhos chorosos vislumbraram um fogareiro de ferro , onde a lenha crepitava e esquentava tanto , tanto , que ela estendeu também os seus pezinhos , para que se aquecessem .

Mas , muito depressa , a chama se extinguiu , o fogareiro desapareceu , e a menina se viu sentada no mesmo lugar , no chão gelado , tendo nas mãos o resto apagado do fósforo .

A noite , no entanto , parecia agora mais escura , mais fria , mais assustadora do que antes , quando ela ainda não tinha visto a luz mágica da pequena chama colorida .

Riscou rapidamente um segundo fósforo . Desta vez , seus olhos se depararam com a visão de uma sala de jantar , com a mesa posta , tendo ao centro uma enorme travessa com um peru assado , rodeado de ameixas , uvas e maçãs .

Apagou-se o fósforo. De novo, a menina se viu no frio da noite, enregelada e faminta, diante de uma parede escura e triste, que agora lhe parecia ainda mais escura, ainda mais triste.

Mais que depressa, a menina acendeu um terceiro fósforo. Desta vez, ela se viu diante da figura carinhosa de sua mãezinha, morta há tanto tempo.

Com medo de que a imagem querida também se desvanecesse no ar, como o fogareiro, como a comida, ela se põe apressadamente a acender um fósforo atrás de outro, até queimar todo o pacote. A luz assim produzida tinha uma claridade mais brilhante do que o dia, seu calor parecia mais quente do que o Sol.

E a um aceno sorridente de sua mãe, a menina deixou-se conduzir, segurando com suas mãozinhas frias as mãos quentes e macias que sua mãezinha lhe estendia. Seguiu-a, em direção às mais brilhantes estrelas do firmamento.

Quando clareou a fria manhã do Ano Novo, os passantes encontraram a menina sentada no chão, cercada pelos restos de fósforos queimados. Com as faces arroxeadas, ainda com um sorriso nos lábios. Morta de frio.

- Quis aquecer-se, coitadinha! disse alguém, ao passar.

Muitas vezes, a realidade em que a gente vive é tão ruim, tão feia e tão triste, que dá vontade de escapar dela, mesmo, a qualquer preço.

O problema é que, em geral, as drogas fazem com que as pessoas acabem se esquecendo de que havia uma realidade da qual queriam fugir - e as pessoas passam a acreditar que não foram elas que fugiram, mas que foi a realidade que mudou. Isto é, acabam acreditando que conseguiram provocar alguma mudança no mundo e resolver algum problema, quando o que conseguiram foi apenas colocar uma espécie de lente para mudar o seu jeito de ver o mundo que continua tão ruim, tão feio e tão triste como antes. Só que mais perigoso.

Essa espécie de sinal de realidade , essa capacidade de distinguir entre o real e o imaginário - que se perde com a droga - é um dos mecanismos responsáveis pela sobrevivência humana .

Trecho do livro DOCES VENENOS de Lidia Aratangy

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

NOSSA RELAÇÃO COM O DINHEIRO

Uma das maiores dificuldades que surgem em meu consultório é a relação com o dinheiro . Falta de controle , excesso de controle , ter muito , a falta e outras situações que sempre geram muito sofrimento .

“ Por causa dele muitos já mataram e morreram , guerras foram deflagradas e famílias destroçadas .Noites de sono foram perdidas , casais separados , amigos traídos e houve , até os que decidiram pôr fim à própria vida quando se viram sem ele . O fato é que o dinheiro não é , nem de longe , apenas uma “ferramenta” que facilita as trocas e , conseqüentemente , a sobrevivência humana . Em vez disso , assume inúmeras representações , mobiliza associações , sistemas de crenças , valores , afeta emoções , aciona sistemas defensivos e obedece a dinâmicas com lógicas próprias e complexas .” ( Revista Mente e Cérebro )

De fato , são inúmeros os problemas com essa origem que procuramos solucionar em sessões de terapia .
O dinheiro como prova de amor é a mais freqüente .
$ Deu um presente mais caro para ele do que deu para mim ( gosta mais dele ).
$ Se preocupa mais em aumentar a pensão da ex –mulher do que com o que está faltando na nossa casa (gosta mais da ex que de mim ) .
$ Os filhos da outra sempre estudaram em colégios caros , pros nossos , qualquer coisa serve ( gosta mais dos outros filhos ) .
$ Pagou faculdade particular para o meu irmão . Eu tive que fazer vestibular um montão de vezes , até entrar numa pública .
$ Sempre deu mesada maior para eles do que para mim .
$ Enquanto a outra família ficou com um casarão , nós vivemos apertados nesse apartamento .
$ Pra ele sempre carro do ano . Meu carro só troca quando cai de podre .
Outra situação dolorosa é a que tira a auto-estima da pessoa pela perda em sua situação financeira . Pessoas bem empregadas , com farta rede de amigos , bem consideradas , convidadas para eventos , de um momento para outro sentem-se ( com motivo , ou não ) , esquecidas por perderem seu emprego . Deixaram de ser simpáticas ? Perderam suas qualidades ? Por que então as pessoas se referem a elas como : “ Coitada ! Perdeu o emprego. “ Seu dinheiro pode diminuir , mas continua com o corpo são , com sua potencialidade , seu caráter , logo , é a mesma pessoa ! Coitada por que ?

“Mais tarde , a pessoa perceberá que o dinheiro ganho , oferecido ou negado , bem ou mal usado , tem efeito muito parecido : surte efeito sobre si , sobre o outro , envolve confiança , investimentos afetivos , pauta relacionamentos e determina os lugares que os sujeitos ocupam nos diferentes grupos , funciona como recurso de interação cultural , habilitando as pessoas a obter o que desejam . E , em muitos casos , transforma-se em um ícone de felicidade .” (Mente e Cérebro )

Ou não , porque a recíproca também é verdadeira .
O dinheiro gera a dúvida sobre a qualidade das relações . “Gosta de mim ou do meu dinheiro ?”
E o medo . E o isolamento : “Tenho que investigar muito bem quem trago em casa , porque posso estar colocando em risco nossa segurança . “
“ Meus filhos só saem com seguranças e não vão a festinhas de amiguinhos nem a passeios de colégio . Tenho pavor de seqüestro . E nunca se sabe quem pode ser uma ameaça !”
Ao invés de proporcionar a liberdade de viver tudo que se deseja , pode ser transformado em uma prisão .

“ São essas intrincadas relações que a psicologia econômica e a neuroeconomia têm se dedicado a investigar nos últimos anos . Os cientistas já depararam com conclusões curiosas . Uma delas é que o valor do dinheiro é relativo : as pessoas costumam se mobilizar para receber o troco correto de R$ 5,00 quando compram algo de R$ 15,00 , por exemplo , mas dificilmente se importarão em perder exatamente a mesma quantia na transação de um imóvel de R$ 200 mil . Os R$ 5,00 são os mesmos , mas em variados contextos parecem adquirir valor diferente . Outro achado : a frustração de perder dinheiro é processada na mesma área cerebral da dor física , o que leva a crer que ser privado de bens materiais pode doer literalmente .
Mais ainda : temos orgulho de nossos bens e vendê-los implica , quase sempre , um pequeno luto . Porém , se produtos são adquiridos para ser comercializados ( como faz o proprietário de uma loja ) eles deixam de ter esse “efeito de dotação” , como chamam os pesquisadores . As peculiaridades são inúmeras . E , em tempos de crise , compreender melhor nossas relações subjetivas com o “ vil metal “ – e até fazer as pazes com ele – pode ser lucrativo “. ( Mente e Cérebro )

É comum se ouvir a frase : “doer no bolso “. Esse texto nos esclarece um pouco da razão dessa dor .
Tudo que passamos a entender a nosso respeito vai facilitar na compreensão de nossos comportamentos e na compreensão da maneira de agir dos outros .
São armas conquistadas para a luta que travamos por uma vida melhor .

Carmen Marina Sande

segunda-feira, 13 de julho de 2009

AMIZADE


Dirigindo um calhambeque azul, Roberto Carlos chegou ao palco do Maracanã, na noite de sábado (11/7/2009), para comemorar seus 50 anos de carreira, rodeado de cerca de 60 mil fãs no estádio.

''Esta é a maior emoção da minha vida'', comentou. ''Tudo isso parece um sonho, mas se eu estiver sonhando, por favor, não me acordem'', disse, antes de cantar os maiores sucessos de sua carreira, entre eles Eu te Amo, Emoções, O Calhambeque, Detalhes e Lady Laura.

O show contou com a participação de seus grandes amigos da Jovem Guarda, Wanderléa e Erasmo Carlos. O Rei chegou a chorar enquanto cantava a canção Amigo ao lado do Tremendão, e declarou: ''Eu adoro os meus irmãos, mas você é o irmão que eu escolhi, quando já era mais grandinho''.

Muito se falou , muito se fala e muito ainda se falará sobre Amizade .


Ontem quase às 18 h passamos em frente ao Estádio do Maracanã , onde se realizaria o show . Chamou nossa atenção o número de pessoas idosas aguardando nas filas a abertura dos portões para a entrada do público . Alguns com bengalas e andadores . Estavam ali prontos para demonstrar sua devoção ao artista que amam e que chamam de Rei . Superando seus limites e dificuldades seja pela idade , seja pela saúde . Nada os deteria nessa prova inequívoca de carinho .


Fiquei imaginando como Roberto Carlos estaria se sentindo sabedor dessa realidade .


Lembrando o Pequeno Príncipe : " Tu és responsável por quem cativas . " Que responsabilidade satisfazer e retribuir todo esse carinho . Deve ficar tão emocionado que é provavel que nem consiga cantar !


Qual não foi minha surpresa ao ver um Roberto Carlos controlado , frio , desempenhando o roteiro do show , com as atitudes de carinho com o público em gestos e palavras . O sorriso simpático como sempre . Nada era traído pela emoção .


Cantou lembrando sua cidade de orígem ( Cachoeiro de Itapemirim ) , sua mãe ( Lady Laura ) , sua fé ( Nossa Senhora ) e seu grande amor perdido ( Maria Rita ) e nada o abalou . Continuava seu show sem qualquer dificuldade . Assim foi até que convidou ao palco o "meu amigo Erasmo Carlos " !


Ouve as palavras do amigo no telão e o convida a entrar . Ao vê-lo chegando a segurança se perde . Roberto Carlos desaba ao abraçar Erasmo . A tentativa de cantar se frustra frente à emoção . As lágrimas estão no rosto e na voz embargada . A canção para o amigo desnuda os dois homens , mostrando a força da amizade que os une e as dificuldades e vitórias partilhadas no decorrer de suas existências .


Ali o ídolo mostrou sua humanidade . Passou a ser uma pessoa contagiada e participante do ambiente de pura emoção que reinava .


A amizade foi mais forte que todos os outros sentimentos , capaz de derrubar o profissionalismo do artista homenageado .


Na amizade reside nossa força e nossa fraqueza !


Carmen Marina Sande





segunda-feira, 4 de maio de 2009

OS PERIGOS DA INTERNET


A internet é uma faca de dois gumes .
Entra nas casas pelas mãos dos pais , que compram o computador e pagam o provedor , banda larga , e por aí vai . . .
Para os filhos já vem com a idéia de que é para seu bem , pois tem o aval dos pais .

Os pais não têm tempo e , por vezes nem têm intimidade com informática para controlar seu uso .
O fato é que desconhecem de que maneira os filhos estão “aproveitando” o que deveria ser um bem , mas que também pode se transformar em um grande risco para sua segurança !
É preciso não confundir liberdade e confiança com omissão . Na maioria das vezes , os mais jovens precisam da supervisão atenta dos adultos .

Ainda não estão capacitados para serem responsabilizados totalmente por suas ações e decisões .
O respeito à privacidade , a idéia moderna de "não invadir ", de respeitar o espaço , tem gerado situações equivocadas quanto ao papel dos pais como cuidadores responsáveis pelo desenvolvimento saudável e seguro dos filhos .
Ao se apropriarem , sem o conhecimento dos verdadeiros significados , de palavras como " trauma ", "recalque", "complexo" , as pessoas se perderam em suas convicções quanto ao certo e errado em seu comportamento !
A posição de" pais amigos" também traz muita confusão , pois essas duas funções não devem ser confundidas .
Os filhos podem ter muitos amigos , mas a atuação dos pais tem que ser atenta , punitiva quando necessário , limitadora e firme .
O que , infelizmente , vem sendo esquecido .
É hora de repensar !

Carmen Marina Sande

sábado, 2 de maio de 2009

VOCÊ É FELIZ ?



Clique no flyer para visualizar melhor .

domingo, 26 de abril de 2009

Terapia do Elogio


Esse texto traduz a necessidade que todos temos de ser validados pelo outro .
Há quem pense :”Se não reclamo , é porque estou satisfeito “. Grande erro !
Não se deve economizar em elogios verdadeiros .

Reconhecer e demonstrar isso , aumenta a auto-estima do outro .
Mas é preciso demonstrar essa confiança , tbm , em atitudes .
Incentivar o outro a ter a responsabilidade sobre seus atos , é mostrar que confia nele e em sua capacidade de fazer as escolhas acertadas .
Que fique bem claro , que isso exclui as crianças de até , pelo menos 10 anos . Essas devem ter uma autonomia sepervisionada de perto por um cuidador , por não terem , ainda , capacidade de escolher o melhor para elas . Vão escolher o que gostam e o que querem .
Infelizmente muitos adultos tbm mantêm esse critério imaturo de escolha pela vida a fora .

Um dos mais fortes desejos do ser humano é ser aceito e admirado .
Quantos não ouviram numa briga alguem dizer para o outro : "Você ainda vai se orgulhar de mim !"
E é isso que alimenta a auto - estima , saber-se digno de orgulho .
Para isso é preciso que o outro reconheça e ateste o seu valor através de um simples elogio .



Carmen Marina Sande


Observação :

Interessante foi o retorno que obtive , ao enviar esse texto .
Numa época em que há uma frequente queixa de falta de limites por parte dos pais , muitos se sentiram culpados por um excesso de críticas e por economizarem no reconhecimento de acertos .


De outro amigo , Romero Cavalcanti , recebi uma nova visão para refletir o texto .


TERAPIA DO ELOGIO


Arthur Nogueira Psicólogo


Renomados terapeutas que trabalham com famílias, divulgaram uma recente pesquisa onde nota-se que os membros das famílias estão cada vez mais frios: não existe mais carinho, não valorizam mais as qualidades, só se ouvem críticas.As pessoas estão cada vez mais intolerantes e se desgastam valorizando os defeitos dos outros. Por isso, os relacionamentos de hoje não duram. A ausência de elogio está cada vez mais presente nas famílias de média e alta renda. Não vemos mais homens elogiando suas mulheres ou vice-versa,não vemos chefes elogiando o trabalho de seus subordinados, não vemos mais pais e filhos se elogiando; amigos, etc.Só vemos pessoas valorizando artistas, cantores, pessoas que usam aimagem para ganhar dinheiro e que, por conseqüência são pessoas que têm a obrigação de cuidar do corpo, do rosto. Essa ausência de elogio tem afetado muito as famílias. A falta de diálogo em seus lares, o excesso de orgulho impede que as pessoas digam o que sentem e levam essa carência para dentro dos consultórios.Acabam com seus casamentos, acabam procurando em outras pessoas o que não conseguem dentro de casa. Vamos começar a valorizar nossas famílias, amigos, alunos,subordinados. Vamos elogiar o bom profissional, a boa atitude, a ética, a beleza de nossos parceiros ou nossas parceiras, o comportamento de nossos filhos. Vamos observar o que as pessoas gostam. O bom profissional gosta de serreconhecido, o bom filho gosta de ser reconhecido, o bom pai ou a boa mãegostam de ser reconhecidos, o bom amigo quer se sentir querido, a boa dona de casa valorizada, a mulher que se cuida, o homem que se cuida, enfim vivemos numa sociedade em que um precisa do outro; é impossível um homem viver sozinho, e os elogios são a motivação na vida de qualquer pessoa. Quantas pessoas você poderá fazer feliz hoje elogiando de alguma forma? Pensem nisso!


Ai estão algumas respostas que recebi :

De: Romero Cavalcanti [mailto:romerocavalcanti@uol.com.br]


"Carmen,
Aproveito a sua mensagem para elogiar seu constante interesse em
partilhar suas valorosas mensagens.
Gostaria de ressaltar que há neste sentido do elogiar e do receber elogios
uma questão também grandemente importante
que é a importância de ver e de ser visto.
Para alguém ver e ser visto é preciso mostra-se com honestidade.
Ser visto com um sorriso decorativo na cara é na verdade esconder-se.
Não haveria graça em receber um elogio direcionado a um sorriso amarelo.
Acho que muitas vezes não recebemos nada (elogios, atenção, etc.)
porque simplesmente não estamos presentes
o suficiente diante do outro.
É necessário, portanto, que cuidemos desta presença e nos apresentemos com honestidade.
Somente assim seremos vistos e estaremos aptos a ver o outro.
Um abraço
Romero "

From: carmen marina
To: 'Romero Cavalcanti'

Olá , Romero , agradeço suas palavras gentis e inteligentes , como sempre . Vc não imagina como gosto de seus comentários , tão pertinentes e dando continuidade ao assunto proposto , mas acrescentando um novo ângulo para apreciação .
Pretendo fazer uma postagem sobre a validação pelo outro .
Vc me autoriza a usar seu comentário ?
Mas vamos polemizar um pouquinho . Vc não acha que estamos discutindo sobre quem vem primeiro , o ovo ou a galinha ?
Pode ser que a pessoa não se exponha por completo , por medo de não ser aceita por alguém , que apenas a critica e pouco demonstra que percebe suas qualidades .
Abraços
Carmen Marina



De: Romero Cavalcanti [mailto:romerocavalcanti@uol.com.br]


"Acho corretas suas observações.
Claro que pode usar meu comentário.
Será um uma prazer contribuir para essa reflexão.
Ver e ser visto certamente acontecerá em um grau qualquer de parcialidade.
Vamos vendo e sendo vistos aos poucos.
Sempre por partes porque totalidade é uma palavra que só se aplica ao conjunto do real.
Ao humano lhe cabe somente uma parte dentro do real.
Eu me referia a quando alguém deseja ser visto(validado) mas emite uma imagem "melhorada"
na esperança de ser visto com mais valor.
Neste caso o desejo de ser visto coincide com um desejo de esconder-se.
Assim, o elogio que se lança acaba sendo mais direcionado à máscara que á pessoa que a utiliza
para agradar ao outro usando truques.
Já o elogio que recebemos numa situação de franqueza é indiscutivelmente
precioso.
E obrigado pelo elogio.
Abraço
Romero "


De outra amiga recebi essa queixa magoada :


"É impressionante como este texto, vem se encaixar como uma luva no meu atual momento!!!!!
Venho me sentindo, a cada dia, cada vez mais desvalorizada como administradora do lar!!
O mais difícil porem tem sido ser compreendida qd comento a respeito. Realmente é desestimulador,deprimente, pesado, cansativo.


Muitas vezes dá uma terrível sensação de derrota.
Mas vou continuar tentando ."



2009/4/25 Carmen Marina <carmen.marina@uol.com.br>
Essa sensação é muito mais comum do que vc pode imaginar .
Tem uma frase que diz :
Se vc pensa que não estão lhe dando valor , lembre do Sol que todo dia prepara um magnífico espetáculo na aurora , mas a maioria da platéia não dá valor nem se interessa e continua dormindo .
Nem por isso ele desanima e no dia seguinte repete o show com igual magnitude !


"Obrigada pelas palavras de carinho!!
Enquanto o Sol não tem cérebro, sentimentos e emoções , eu tenho.
Mas valeu!! "




Escolhi entre as respostas , 2 que sintetizam as muitas que recebi :

"Estava lendo o seu e-mail sobre a Terapia do Elogio e a carpuça entrou mesmo. "

"Como é bom receber seus e-mails!!A gente sempre aprende com eles!Gostei muito,mesmo porque a carapuça entrou !.Tenho esse grande defeito de estar sempre apontando os erros, principalmente dos meus filhos .É lógico que também os elogios,mas me considero muito crítica.
Obrigada,beijocas. "



quarta-feira, 4 de março de 2009

IDÉIAS POSITIVAS


Sei que se conselho fosse bom , a gente não dava . . . vendia !
Tenho pensado na razão que nos encoraja a dar "palpites" na vida dos outros como se fossemos mais capazes de resolver seus problemas do que eles próprios .
Penso , também , de onde vem a idéia de que sozinhos não encontraremos a solução para as nossas dificuldades ?
Não estou falando das pessoas que procuram ajuda especializada , mas dos que dividem suas dificuldades com pessoas , por vezes , com total incapacidade para lhes prestar auxílio .
Alguns pacientes chegam até nós psicólogos , desejando que tenhamos fórmulas mágicas e respostas prontas para tornar suas vidas mais fáceis .
Dificil é fazê-los entender que a terapia vai guiá-los na busca de seus recursos internos para lidarem com sucesso com as queixas que os atormentam .
Suas queixas são singulares e as soluções terão de ser também .
Mesmo assim arrisco a repassar esse texto porque me parece bastante positivo para melhorar sua qualidade de vida .
Como não tem autoria conhecida , tomei a liberdade de corrigi-lo e fazer algumas alterações e acréscimos .


Mudanças de atitude positivas

Faça como os pássaros, comece o dia cantando, pois a música é alimento para o espírito. Cante qualquer coisa. Cante desafinado que seja, mas cante. Já diz o ditado: "quem canta, seus males espanta". Cantar dilata os pulmões e abre a alma para tudo de bom que a vida tem a oferecer. Se insistir em não cantar, ao menos ouça muita música, e deixe-se absorver por ela e pelo seu prazer que ela traz .
Ria da vida, dos problemas, de você mesmo. A gente começa a ser feliz quando é capaz de rir da gente mesmo. Rir das coisas boas que lhe acontecem é importante. Ria também das besteiras que você já fez. Ria abertamente, para que todos possam contagiar-se com a sua alegria.

Não se deixe abater pelos problemas. Se você procurar convencer-se de que está bem, vai acabar acreditando que realmente está e quando menos perceber, vai se sentir realmente bem.O bom-humor (assim como o mau-humor) é contagiante. Qual deles você escolhe? A decisão é sua a cada novo dia , a cada novo minuto . Se você estiver bem-humorado, as pessoas ao seu redor também ficarão e isso lhe dará mais força e vitalidade.
Leia coisas positivas, bons livros, poesia, por que a poesia é a arte de aceitar a alma. Leia romances, a Bíblia, histórias de amor, ou qualquer coisa que faça reavivar os seus sentimentos mais íntimos e mais puros.
Pratique algum esporte, ocupe-se de coisas boas, pois o peso da cabeça já é grande com tantos problemas e tem que ser contrabalançado com alguma coisa especialmente positiva , para termos boas sensações e podermos aproveitar as grandes lições que a vida nos dá .
Você certamente vai se sentir bem disposto, mais animado, mais jovem.
Encare as suas obrigações com satisfação, pois é maravilhoso quando se gosta do que se faz. Ponha amor em tudo o que estiver ao seu alcance. Se você se propuser a fazer alguma coisa, faça da melhor maneira possível, mergulhe da cabeça, se entregue de corpo, alma e coração.
Não viva de emoções mortas, pois o mundo está cheio de pessoas que são cativas dessas emoções. São pessoas que acabam tornando-se vazias.Perdem a capacidade de se alegrar , de se entusiasmar . Costumamos dizer que elas morreram e não sabem .

Você pode até sair machucado enfrentando as dificuldades, mas verá que valeu muito mais a pena, pois as dificuldades da vida, nos ensinam a sermos fortes e nos trazem a verdadeira felicidade.

Carmen Marina Sande